Abnildo d’Oliveira propõe avançar para um sistema energético mais fiável, diversificado e menos exposto à dependência de combustíveis importados em São Tomé e Príncipe. A abordagem contempla a incorporação progressiva de energias renováveis, a melhoria das infraestruturas e um planeamento orientado para criar melhores condições para as famílias, os serviços públicos e a atividade económica.
A energia é um dos fatores que mais condicionam o funcionamento quotidiano das famílias, empresas, estabelecimentos comerciais e serviços públicos. A estabilidade do fornecimento não é apenas uma questão técnica: influencia diretamente a capacidade de produzir, prestar serviços, planear investimentos e desenvolver atividade económica de forma regular.
Num país com uma elevada exposição a recursos energéticos provenientes do exterior, reforçar a capacidade interna do sistema pode contribuir para reduzir vulnerabilidades e melhorar a sua resiliência perante fatores que escapam ao controlo nacional.
Nesta perspetiva, Abnildo d’Oliveira considera necessário abordar a questão energética através de uma combinação de planeamento, investimento em infraestruturas e desenvolvimento progressivo de alternativas renováveis, evitando soluções que prometam resultados imediatos sem sustentação técnica ou financeira.
Um sistema energético mais estável e com maior capacidade de resposta
O objetivo central é avançar para um sistema capaz de assegurar maior estabilidade e previsibilidade no fornecimento, ao mesmo tempo que são estudadas soluções que permitam diversificar as fontes de produção de energia.
A incorporação de energias renováveis pode fazer parte deste processo, desde que responda a critérios de viabilidade técnica, sustentabilidade financeira e adaptação às características do sistema elétrico de São Tomé e Príncipe.
Não se trata apenas de instalar nova capacidade de produção. A fiabilidade energética depende também da qualidade das redes, da manutenção, da capacidade de gestão, do planeamento da procura e da coordenação entre as diferentes infraestruturas que integram o sistema.
Por esse motivo, qualquer estratégia de modernização deverá definir com precisão quais são os investimentos prioritários, como serão financiados, que instituições assumirão a sua execução e que indicadores permitirão medir os resultados.
“A energia tem um impacto direto na vida das famílias e no funcionamento da nossa economia. Precisamos de trabalhar para que o sistema seja mais fiável e menos vulnerável, incorporando soluções que sejam tecnicamente viáveis e sustentáveis para o país. A transição energética deve ser feita com planeamento, responsabilidade e com foco em resultados que possam ser mantidos ao longo do tempo.”
Uma maior diversificação energética pode ajudar a reduzir gradualmente a exposição de São Tomé e Príncipe às flutuações externas e proporcionar uma base mais estável para o desenvolvimento económico.
Este processo, no entanto, exige uma execução progressiva. As tecnologias que possam vir a ser incorporadas, os níveis de investimento, os prazos e os impactos esperados deverão ser sustentados por estudos técnicos e por uma avaliação realista das capacidades existentes.
O critério central é que a modernização do sistema responda às necessidades concretas do país, evitando tanto soluções improvisadas como compromissos que não possam ser sustentados financeira ou operacionalmente.
Energia, atividade económica e qualidade de vida
A melhoria do sistema energético tem uma relação direta com a economia.
Para uma pequena empresa, um estabelecimento comercial ou um produtor, dispor de um fornecimento mais estável facilita a organização da atividade, reduz incertezas e melhora a capacidade de planeamento. Para os serviços públicos, a continuidade energética é uma condição básica para assegurar o seu funcionamento. Para as famílias, faz parte das condições essenciais de bem-estar quotidiano.
Por esta razão, a política energética não deve ser analisada de forma isolada. Energia, produção, investimento e qualidade dos serviços estão estreitamente relacionados.
Uma maior utilização de recursos renováveis, quando seja técnica e economicamente viável, pode também contribuir para reduzir progressivamente a dependência externa. Este objetivo deve ser entendido como um processo de médio e longo prazo, e não como uma substituição imediata das fontes atualmente utilizadas.
Abnildo d’Oliveira defende que qualquer avanço neste domínio deve ser acompanhado por avaliação técnica, planeamento financeiro e mecanismos de acompanhamento, de modo a que as decisões possam ser avaliadas pelo seu impacto real e não apenas pela sua formulação inicial.
A abordagem prevista nos documentos de recuperação económica associados ao Nossa Terra enquadra a energia numa visão mais ampla de reforço das capacidades nacionais. A intenção é que os investimentos neste domínio contribuam não apenas para modernizar o sistema elétrico, mas também para melhorar as condições necessárias ao desenvolvimento da atividade económica e do país.
É neste quadro que a energia se liga diretamente a uma das três promessas que orientam a mensagem do Nossa Terra: “Luz na casa. Comida na mesa. Governo limpo.” Neste domínio, “Luz na casa” traduz o objetivo de tornar o fornecimento de energia mais estável e fiável, reforçando progressivamente as capacidades do sistema e criando melhores condições para as famílias, os serviços públicos e a atividade económica.
A prioridade é, por isso, avançar para um modelo energético mais estável, diversificado e sustentável, capaz de acompanhar as necessidades de São Tomé e Príncipe e de reduzir progressivamente algumas das vulnerabilidades que atualmente condicionam o seu desenvolvimento.